"Os medíocres imbecis são em regra politicamente correctos e desonestos. Têm o hábito de se promoverem uns aos outros e de afastarem com todas as suas forças malévolas os competentes e honestos, porque sabem muito bem que estes são, e serão sempre, uma ameaça à sua ensimesmada mediocridade e incompetência".
Quem o afirma é Ana Maria Ramalheira, numa escrita bem elaborada. Aqui
"A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original". Albert Einstein
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Pelo Jornalismo, pela Democracia
MANIFESTO
PELO JORNALISMO, PELA DEMOCRACIA
A crise que abala a maioria dos órgãos de informação em Portugal pode parecer aos mais desprevenidos uma mera questão laboral ou mesmo empresarial. Trata-se, contudo, de um problema mais largo e mais profundo, e que, ao afectar um sector estratégico, se reflecte de forma negativa e preocupante na organização da sociedade democrática.
O jornalismo não ...se resume à produção de notícias e muito menos à reprodução de informações que chegam à redacção. Assenta na verificação e na validação da informação, na atribuição de relevância às fontes e acontecimentos, na fiscalização dos diferentes poderes e na oferta de uma pluralidade de olhares e de pontos de vista que dêem aos cidadãos um conhecimento informado do que é do interesse público, estimulem o debate e o confronto de ideias e permitam a multiplicidade de escolhas que caracteriza as democracias. O exercício destas funções centrais exige competências, recursos, tempo e condições de independência e de autonomia dos jornalistas. E não se pode fazer sem jornalistas ou com redacções reduzidas à sua ínfima expressão.
As lutas a que assistimos num sector afectado por despedimentos colectivos, cortes nos orçamentos de funcionamento e precarização profissional extravasa, pois, fronteiras corporativas.
Sendo global, a crise do sector exige um empenhamento de todos - empresários, profissionais, Estado, cidadãos - na descoberta de soluções.
A redução de efectivos, a precariedade profissional e o desinvestimento nas redacções podem parecer uma solução no curto prazo, mas não vão garantir a sobrevivência das empresas jornalísticas. Conduzem, pelo contrário, a uma perda de rigor, de qualidade e de fiabilidade, que terá como consequência, numa espiral recessiva de cidadania, a desinformação da sociedade, a falta de exigência cívica e um enfraquecimento da democracia.
Porque existe uma componente de serviço público em todo o exercício do jornalismo, privado ou público;
Porque este último, por maioria de razão, não pode ser transformado, como faz a proposta do Governo para o OE de 2013, numa "repartição de activos em função da especialização de diversas áreas de negócios" por parte do "accionista Estado";
Porque o jornalismo não é apenas mais um serviço entre os muitos que o mercado nos oferece;
Porque o jornalismo é um serviço que está no coração da democracia;
Porque a crise dos média e as medidas erradas e perigosas com que vem sendo combatida ocorrem num tempo de aguda crise nacional, que torna mais imperiosa ainda a função da imprensa;
Porque o jornalismo é um património colectivo;
Os subscritores entendem que a luta das redacções e dos jornalistas, hoje, é uma luta de todos nós, cidadãos.
Por isso nela nos envolvemos.
Por isso manifestamos a nossa solidariedade activa com todos os que, na imprensa escrita e online, na rádio e na televisão, lutando pelo direito à dignidade profissional contra a degradação das condições de trabalho, lutam por um jornalismo independente, plural, exigente e de qualidade, esteio de uma sociedade livre e democrática.
Por isso desafiamos todos os cidadãos a empenhar-se nesta defesa de uma imprensa livre e de qualidade e a colocar os seus esforços e a sua imaginação ao serviço da sua sustentabilidade.
Este é apenas o primeiro passo duma iniciativa que pretende ser mais ampla.
Nos próximos dias todos os jornalistas, bem como todos os cidadãos vão ser convidados a assinar e a participar.
Pelo jornalismo, Pela democracia
(Página do Facebook de Artigo 21.º)
PELO JORNALISMO, PELA DEMOCRACIA
A crise que abala a maioria dos órgãos de informação em Portugal pode parecer aos mais desprevenidos uma mera questão laboral ou mesmo empresarial. Trata-se, contudo, de um problema mais largo e mais profundo, e que, ao afectar um sector estratégico, se reflecte de forma negativa e preocupante na organização da sociedade democrática.
O jornalismo não ...se resume à produção de notícias e muito menos à reprodução de informações que chegam à redacção. Assenta na verificação e na validação da informação, na atribuição de relevância às fontes e acontecimentos, na fiscalização dos diferentes poderes e na oferta de uma pluralidade de olhares e de pontos de vista que dêem aos cidadãos um conhecimento informado do que é do interesse público, estimulem o debate e o confronto de ideias e permitam a multiplicidade de escolhas que caracteriza as democracias. O exercício destas funções centrais exige competências, recursos, tempo e condições de independência e de autonomia dos jornalistas. E não se pode fazer sem jornalistas ou com redacções reduzidas à sua ínfima expressão.
As lutas a que assistimos num sector afectado por despedimentos colectivos, cortes nos orçamentos de funcionamento e precarização profissional extravasa, pois, fronteiras corporativas.
Sendo global, a crise do sector exige um empenhamento de todos - empresários, profissionais, Estado, cidadãos - na descoberta de soluções.
A redução de efectivos, a precariedade profissional e o desinvestimento nas redacções podem parecer uma solução no curto prazo, mas não vão garantir a sobrevivência das empresas jornalísticas. Conduzem, pelo contrário, a uma perda de rigor, de qualidade e de fiabilidade, que terá como consequência, numa espiral recessiva de cidadania, a desinformação da sociedade, a falta de exigência cívica e um enfraquecimento da democracia.
Porque existe uma componente de serviço público em todo o exercício do jornalismo, privado ou público;
Porque este último, por maioria de razão, não pode ser transformado, como faz a proposta do Governo para o OE de 2013, numa "repartição de activos em função da especialização de diversas áreas de negócios" por parte do "accionista Estado";
Porque o jornalismo não é apenas mais um serviço entre os muitos que o mercado nos oferece;
Porque o jornalismo é um serviço que está no coração da democracia;
Porque a crise dos média e as medidas erradas e perigosas com que vem sendo combatida ocorrem num tempo de aguda crise nacional, que torna mais imperiosa ainda a função da imprensa;
Porque o jornalismo é um património colectivo;
Os subscritores entendem que a luta das redacções e dos jornalistas, hoje, é uma luta de todos nós, cidadãos.
Por isso nela nos envolvemos.
Por isso manifestamos a nossa solidariedade activa com todos os que, na imprensa escrita e online, na rádio e na televisão, lutando pelo direito à dignidade profissional contra a degradação das condições de trabalho, lutam por um jornalismo independente, plural, exigente e de qualidade, esteio de uma sociedade livre e democrática.
Por isso desafiamos todos os cidadãos a empenhar-se nesta defesa de uma imprensa livre e de qualidade e a colocar os seus esforços e a sua imaginação ao serviço da sua sustentabilidade.
Este é apenas o primeiro passo duma iniciativa que pretende ser mais ampla.
Nos próximos dias todos os jornalistas, bem como todos os cidadãos vão ser convidados a assinar e a participar.
Pelo jornalismo, Pela democracia
(Página do Facebook de Artigo 21.º)
terça-feira, 16 de outubro de 2012
O jornalismo enquanto paixão insaciável
"Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la.
Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são.
Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte".
Gabriel Garcia Marquez
É isto mesmo. Ser jornalista é muito mais do que perseguir uma mera carreira profissional. É um estado de espírito permanente.É vibrar, por vezes sofrer. É não fechar a porta do escritório às 19h00. É uma total disponibilidade muito para além do horário que decorre do contrato de trabalho mas que se prolonga por muitas, muitas mais horas. É ter capacidade de encaixe para perceber que quando tudo está bem, não há feed-back algum. Mas quando se escreve, edita algo que movimente o pensamento que alguns preferem morto, são muitas as reclamações. Por um direito que nunca o chega a ser e que é nulo à partida. Talvez por isto e muito mais, sejam tantos os que se julgam jornalistas. Talvez por isto e muito mais sejam muitos os que se auto-denominam jornalistas. Talvez por isto e muito mais, haja quem julgue perceber o jornalismo.
Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são.
Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte".
Gabriel Garcia Marquez
É isto mesmo. Ser jornalista é muito mais do que perseguir uma mera carreira profissional. É um estado de espírito permanente.É vibrar, por vezes sofrer. É não fechar a porta do escritório às 19h00. É uma total disponibilidade muito para além do horário que decorre do contrato de trabalho mas que se prolonga por muitas, muitas mais horas. É ter capacidade de encaixe para perceber que quando tudo está bem, não há feed-back algum. Mas quando se escreve, edita algo que movimente o pensamento que alguns preferem morto, são muitas as reclamações. Por um direito que nunca o chega a ser e que é nulo à partida. Talvez por isto e muito mais, sejam tantos os que se julgam jornalistas. Talvez por isto e muito mais sejam muitos os que se auto-denominam jornalistas. Talvez por isto e muito mais, haja quem julgue perceber o jornalismo.
Montemor-o-Velho quer anexar território da Figueira da Foz
Segundo avança o jornal O Figueirense, "O presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, João Ataíde, informou esta manhã o restante executivo da intenção da autarquia de Montemor-o-Velho de proceder a alterações nos seus limites territoriais, um objetivo que, para surpresa do edil, foi já sufragado pela assembleia municipal montemorense".
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domingo, 14 de outubro de 2012
"Um violento ataque à classe média" - por Norberto Pires
Escreve Noberto Pires na sua página do facebook:
"No Público de hoje (14/10/2012) - a imagem da insustentabilidade das famílias e de um VIOLENTO ATAQUE à CLASSE MÉDIA.
A parte PERVERSA é a que resulta de uma análise da percentagem de AUMENTO de IRS. Se verificarem a percentagem maior ocorre em rendimentos brutos até 28 000 euros, com percentagens de aumento superiores a 80% (por exemplo, 86.6% para famílias com 1 filho). Onde está a perversidade?
1. Vejam o PORDATA. A dimensão média de uma família portuguesa é 2.8
2. Vejam ...o PORDATA. A esmagadora maioria das famílias portuguesas têm rendimentos até 28 000 euros: dos 4 615 388 agregados familiares, 3 815 924 agregados (~83%) têm rendimentos até 28 000 euros.
http://www.pordata.pt/Portugal/Ambiente+de+Consulta/Tabela/4215686
Ou seja, este verdadeiro atentado às famílias foi feito por AJUSTE em Excel para ter o maior efeito destrutivo possível (= maior receita de IRS em linguagem de Victor Gaspar).Ver mais
"No Público de hoje (14/10/2012) - a imagem da insustentabilidade das famílias e de um VIOLENTO ATAQUE à CLASSE MÉDIA.
A parte PERVERSA é a que resulta de uma análise da percentagem de AUMENTO de IRS. Se verificarem a percentagem maior ocorre em rendimentos brutos até 28 000 euros, com percentagens de aumento superiores a 80% (por exemplo, 86.6% para famílias com 1 filho). Onde está a perversidade?
1. Vejam o PORDATA. A dimensão média de uma família portuguesa é 2.8
2. Vejam ...o PORDATA. A esmagadora maioria das famílias portuguesas têm rendimentos até 28 000 euros: dos 4 615 388 agregados familiares, 3 815 924 agregados (~83%) têm rendimentos até 28 000 euros.
http://www.pordata.pt/Portugal/Ambiente+de+Consulta/Tabela/4215686
Ou seja, este verdadeiro atentado às famílias foi feito por AJUSTE em Excel para ter o maior efeito destrutivo possível (= maior receita de IRS em linguagem de Victor Gaspar).Ver mais
Cerco ao Parlamento para demitir o Governo
Os movimentos organizadores do «Cerco ao Parlamento», na segunda-feira em Lisboa, para contestar o Orçamento de Estado para 2013, vão voltar a pedir a demissão do Governo e o dinheiro «canalizado para o povo».
Aqui
Aqui
Internet e novas freguesias: inclusão ou exclusão?
Se é verdade que hoje em dia as distâncias parecem estar mais curtas, graças à Internet, também é verdade que se perdeu algo do bom que existia no conceito de vizinhança.
Qualquer um de nós, de vocês, pode chegar a casa e no conforto do lar visitar um museu a milhares de quilómetros.
Podemos ficar a saber ao minuto o que aconteceu em mais um atentado no Médio Oriente, ou quem venceu outro concurso do Masterchef.
Podemos acompanhar em direto uma sessão da Assembleia da República.
O facebook abre portas a um novo conceito de amizade, onde o toque físico deu lugar ao virtual. Tem as suas vantagens, mas também muitas desvantagens, conversa que ficará para outra oportunidade.
Mas se calhar não sabemos o nome do vizinho do rés-do-chão ou até da porta ao lado.
A relação próxima que outrora acontecia hoje está limitada a uma «boa tarde».
O governo entende que temos freguesias a mais. Fazem-se novos mapas, todos baseados em agendas. Individuais ou associativas/colectivas. Cada proposta apresentada (ou não proposta) não surge de forma ingénua e pretende ir ao encontro de determinados pressupostos.
Com o fim de algumas freguesias, irá diminuir a proximidade entre o freguês e o representante autárquico?
Ou será uma nova oportunidade para se apostar em novos modelos assentes, acima de tudo, no bem estar do cidadão e no pleno funcionamento das instituições?
Estaremos mais perto uns dos outros? Não sei.
Espero é que as escolas funcionem, que os centros de saúde atendam bem, que as ruas estejam minimamente alcatroadas e que os passeios estejam limpos. Que possam viver em segurança e com um mínimo de dignidade.
Espero que com estas super-freguesias se tomem outras medidas de protecção mais eficazes aos socialmente desfavorecidos. Que os muitos jantares de solidariedade aconteçam sempre e que as visitas às freguesias também, e não apenas nestes tempos que se abrem.
Tal como a Internet, a reforma administrativa territorial tem dois caminhos. Importa reter o melhor dos dois.
Qualquer um de nós, de vocês, pode chegar a casa e no conforto do lar visitar um museu a milhares de quilómetros.
Podemos ficar a saber ao minuto o que aconteceu em mais um atentado no Médio Oriente, ou quem venceu outro concurso do Masterchef.
Podemos acompanhar em direto uma sessão da Assembleia da República.
O facebook abre portas a um novo conceito de amizade, onde o toque físico deu lugar ao virtual. Tem as suas vantagens, mas também muitas desvantagens, conversa que ficará para outra oportunidade.
Mas se calhar não sabemos o nome do vizinho do rés-do-chão ou até da porta ao lado.
A relação próxima que outrora acontecia hoje está limitada a uma «boa tarde».
O governo entende que temos freguesias a mais. Fazem-se novos mapas, todos baseados em agendas. Individuais ou associativas/colectivas. Cada proposta apresentada (ou não proposta) não surge de forma ingénua e pretende ir ao encontro de determinados pressupostos.
Com o fim de algumas freguesias, irá diminuir a proximidade entre o freguês e o representante autárquico?
Ou será uma nova oportunidade para se apostar em novos modelos assentes, acima de tudo, no bem estar do cidadão e no pleno funcionamento das instituições?
Estaremos mais perto uns dos outros? Não sei.
Espero é que as escolas funcionem, que os centros de saúde atendam bem, que as ruas estejam minimamente alcatroadas e que os passeios estejam limpos. Que possam viver em segurança e com um mínimo de dignidade.
Espero que com estas super-freguesias se tomem outras medidas de protecção mais eficazes aos socialmente desfavorecidos. Que os muitos jantares de solidariedade aconteçam sempre e que as visitas às freguesias também, e não apenas nestes tempos que se abrem.
Tal como a Internet, a reforma administrativa territorial tem dois caminhos. Importa reter o melhor dos dois.
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